A Igreja que devemos ser

As igrejas na história que se propuseram a ser progressistas no seu tempo viveram sob tensão, viveram a realidade do martírio, viveram a realidade da perseguição, viveram a realidade da confrontação com as autoridades que negavam o serviço ao próximo, viveram a negação a si mesmo em prol de uma missão. Aprenderam semelhantemente ao Apóstolo Paulo a viverem contentes em toda e qualquer situação. Aprenderam a ser honrados e humilhados, aprenderam a ter fartura e também a viver na escassez.

Eles eram agentes do Reino de Deus, inconformados com a injustiça, com a corrupção, com as falcatruas dos poderosos, com o pecado que destruía gerações. Esses foram politicamente incorretos, foram em muitos casos expulsos da própria igreja, foram presos, expostos a vergonha pública, incompreendidos, acusados de rebeldia e de serem hereges. Mas foram esses os instrumentos de Deus que mudaram o seu tempo, marcaram a sua época e colaboraram para profundas transformações no seu tempo. Eles, até hoje, mesmo depois de mortos, ainda falam, inspiram gerações, contribuem com os seus testemunhos.

Já aqueles que optaram pelo viés do “politicamente correto”, até conseguiram “sucesso” naquilo que se propuseram a fazer, mas não deixaram um legado bíblico que inspirasse o surgimento de profetas, de destemidos missionários, de ousados pregadores da Palavra de Deus. Não deixaram um legado de servos que não se conformaram com esse século.

Ser um cristão é ser ativo na história do seu tempo. É se perceber forasteiro e peregrino na terra, é não ter justiça própria, é se submeter totalmente a vontade de Deus, é considerar tudo como perda pela sublimidade de ter encontrado a pérola preciosa, é saber que se está num mundo perdido, caído, afastado de Deus. É compreender que a vida sem a presença de Jesus é canseira e enfado, é se sentir abençoado por ter sido escolhido como alguém que o Senhor quer usar para os seus propósitos. É aprender de uma vez por todas que “todas as coisas foram feitas por Ele, e sem Ele nada do que foi feito se fez” (João 1.3). O cristianismo é Jesus! Não existe cristianismo fácil, a missão do cristão nesse mundo é enfrentar o pecado. É se insurgir na história como alguém que sabe que Jesus abalou padrões vigentes e expôs a mentira da falsa paz que era escorada no jogo de vantagens pessoais e que excluía o povo dos benefícios.

 

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