Educação e corrupção

A corrupção é o principal motivo de angústia para 62%dos brasileiros. Fica à frente da saúde, segurança, desemprego e pobreza. A educação ocupa somente o sétimo lugar nesta lista de preocupações e incomoda apenas um entre quatro brasileiros. Esses dados da Fundação Getúlio Vargas revelam que nós não associamos diretamente a educação ruim aos outros problemas que enfrentamos no dia a dia, inclusive a corrupção. E na verdade, uma coisa está totalmente ligada a outra.

Os resultados divulgados em 2017 da Avaliação Nacional de Alfabetização, revelam que no país somente 45,3% das crianças entre 8 e 9 anos de idade estão alfabetizadas. No teste de avaliação de matemática, metade dos alunos não conseguiu acertar a soma de 112 + 93, mesmo tendo como opções de resposta: a)105 b)115 c)205 d)21.

A nossa educação avaliada do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), com alunos de 15 e 16 anos, revelou elevado grau de insuficiência. Em ciências ficamos 57% abaixo do limite considerado como satisfatório, em leitura 51%, e em matemática 70%.

A correlação existente entre países com melhores resultados na educação e os menos corruptos é alta. A ilha de Cingapura, melhor colocada no PISA de 2015, é a sétima melhor colocada no Índice de Percepção da Corrupção (IPC). Os três países menos corruptos, Dinamarca, Nova Zelândia e Finlândia, estão entre os 14 melhores no PISA.

O Brasil está ruim em ambos os indicadores, 79º no IPC e 62º na média da nota do PISA em matemática, ciência e leitura. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) estima que a corrupção brasileira anual está entre 1,4 a 2,3 do PIB e em valores pode chegar a R$ 150 bilhões por ano. Dá para construir 42 mil escolas e 79 mil creches. Precisamos compreender que o aumento da desigualdade social, da violência, a precariedade da saúde, a baixa produtividade e a desaceleração da economia são consequências da má educação que condena a nação ao atraso.

Essa cultura da política brasileira, de criar mitos e deuses que estão acima do bem e do mal, é fruto dessa má educação que afastou o estudo sobre política das escolas. Isso viciou os brasileiros a fofoca pública, a olhar para as eleições que definem o futuro da nação com o mesmo espírito que torce para o seu time de futebol. É uma porta escancarada para o atraso, corrupção, conluio, para a proliferação do poder paralelo. A educação não pode ser percebida como um detalhe, precisa ser vista como prioridade número um para o desenvolvimento da nossa nação.

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