Na França, Macron. E no Brasil?

Desde o dia em que assumi como deputado estadual, me dediquei a analisar os reais problemas do Estado. Diante do gigantismo da situação, defini que tinha que trabalhar de duas maneiras: a primeira emergencial e a segunda planejada.
O estado do Rio e o Brasil precisam estancar essa sangria aos cofres públicos. Precisam rever privilégios, exorbitantes aposentadorias, esquemas entre o público e o privado, anistias fiscais. O país e o estado precisam ser passados a limpo.
O novo presidente da França, Emmanuel Macron, foi ministro da economia, fundou o novo partido, o Em Marcha!, e treze meses depois se tornou presidente do seu país e conquistou no parlamento mais de 350 cadeiras de deputados. Conseguiu tudo isso no tempo recorde sem um pingo de populismo. No último debate da campanha, o moderador perguntou: qual a sua posição em relação a previdência? Marine Le Pen respondeu de pronto: Vou reduzir a idade mínima da aposentadoria de 63 para 60 anos. Macron não se assustou com a afirmação da concorrente e afirmou que manteria os 63 anos. Ganhou as eleições com 66% dos votos.
No discurso de posse, confirmou sua agenda como político de centro, anunciando a reforma da previdência e a legislação trabalhista, maior rigor e restrição na concessão do seguro desemprego, melhorando a relação com os empreendedores para possibilitar o retorno do crescimento e dos empregos. Ele deixou o governo do presidente Hollande e fundou um partido quando viu de perto de que a velha política era velha mesmo e que essa política jamais mudaria a França.
Desde o início dos anos 2000, a França patina em um baixo crescimento, desemprego alto e perda de investimento. A Alemanha fez o dever de casa reformista em 2002. A França agarrada a velha política, perdeu 15 anos e Macron entra decidido a mudar essa história. Os dois partidos tradicionais que vinham se alternando no governo, o socialista e o republicano, estão arrasados e os partidos extremistas da direita e da esquerda também não têm mais discurso e são vistos com desconfiança pela sociedade.
O candidato favorito lá era o conservador François Fillon, considerado um político sério. Ele despencou nas pesquisas quando foi revelado que ele empregava o filho e a mulher em seu gabinete de deputado. Tentou explicar, mas não conseguiu.
Pergunta: Onde estão os nossos “Macrons”? Onde estão os corajosos para tomar medidas impopulares? Onde estão os corajosos para trabalharem com capacidade de gestão no equilíbrio das contas públicas, na redução do tamanho do Estado, simplificação e redução da carga tributária, reforma da previdência, trabalhista, política? Onde estão os novos “Macrons” dispostos a introduzir um sistema em que a eficiência valha mais que as relações de bastidores dos governantes e seus partidos.
As mudanças acontecerão, o vento veio forte e vai ficar aqui por um bom tempo. Não podemos fugir das mudanças que estão acontecendo.

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