Polarização e radicalização

Existe hoje um jogo muito forte sendo feito que diz respeito não só a pessoas públicas, mas a todas as pessoas que, em um determinado momento, evidenciam algum tipo de notícia. Se formos fazer um paralelo histórico, vemos que as pessoas hoje são jogadas aos leões por parte das redes sociais, semelhante a Roma antiga quando a população se dirigia ao Coliseu para ver um massacre atrás do outro. As informações multiplicadas hoje de um modo absurdo chamam atenção porque canalizam para uma espécie de cultura do entretenimento.
Diante disso, eu percebo que as pessoas vivendo esse momento muito efervescente de informações, não estão buscando saídas para a própria sociedade, para a própria estrutura política, estrutura de formação da sociedade. Elas buscam duas coisas que, ao meu ver, muitas buscam de forma inconsciente, de maneira cultural, mas buscam a polarização e a radicalização.

Querem informações para escolher um lado e isso se dá porque quase todos querem respostas simples e emocionais para questões complexas e racionais.

Na verdade, como disse muito bem o escritor israelense Amos Oz, somos uma sociedade estruturada hoje na diversão e no escândalo. As pessoas leem os jornais não para ponderar, analisar ou ampliar os seus horizontes. Elas buscam o sensacionalismo, que é diversão de um lado e escândalo do outro. Isso é buscado em todas as áreas da vida, na política, na religião, a gente percebe isso muito claramente dentro da sociedade. Diante disso, pensando pelo aspecto político, muitos eleitores votam não porque desejam alguém para representar as suas ideias e ideais, mas para que a política seja apenas divertida, animada e escandalosa. Aquele que tiver a melhor performance tem chance de ser muito bem-sucedido. É só a gente perceber algumas ações que podemos chamar de carismáticas, pelo mundo e pelo Brasil, que notamos que cria uma identificação. O limite entre a política e o entretenimento está desaparecendo. A grande massa diz: não nos dê ideia, dê-nos frase de efeito. Não nos de uma visão, dê-nos escândalo. Não nos mostre um caminho, nos mostre ataques e insultos aos adversários. Isso atinge profundamente o futuro da democracia.
Na religião, as pessoas não estão indo em busca da verdade. Vão em busca de um bem-estar e de sentir fortes emoções e que elas podem de alguma maneira naquele espaço e momento ou chorar muito, ou sorrir muito. Então, elas buscam também algo incrível, fantástico e extraordinário o tempo inteiro. E também parecem se tornam facilmente manobradas por essa cultura de diversão, do entretenimento.
Precisamos ter bastante cuidado, porque vivemos em um tempo onde a cultura da informação cresce assustadoramente nesses dois pontos, na diversão e no escândalo. Não cresce no desenvolvimento, para a ampliação dos horizontes, para aprender a ter análise crítica, para ponderar, para se perceber um mundo real dentro de tanta confusão que está estabelecida. Esse é um quadro que estou percebendo, pois eu milito tanto na política, quanto na religião.

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