Um caminho para nova política

Todo o país está percebendo o quadro de uma mudança profunda na política. Essa velha política não se sustentará mais. Petrolão, mensalão, lava-jato, estão desnudando a política brasileira. Agora a grande pergunta: do que o Brasil precisa para mudar? Primeiro precisa de inteligência. Precisamos ser uma geração que trabalha no mais alto nível de excelência pensando no país. Não podemos ter mais aquela ideia patrimonialista de pensar que o dinheiro público torna-se privado para os interesses de quem está no poder. Agora é o país que está em jogo. Uma nova estruturação também é necessária, que é a remodelação do Brasil na sua base, na sua legislação.
A reforma precisa vir tão urgente que deveria ter sido para ontem. Para que haja essa mudança, temos que anular a demagogia do exercício do poder, que é quando os problemas escondidos vêm à tona e alguns políticos se apresentam na mídia escorados em uma falsa promessa dizendo que vão mudar. E sabe qual o maior medo do político hoje? É a opinião pública. Quando o foco se vira para ele que, de uma forma leviana, se apresenta dizendo que agora realmente chegou o tempo da mudança. Mas quando aquilo esfria, os bastidores da política continuam tendo os mesmos movimentos. Mas o que o Brasil precisa para a mudança vem acompanhado de medidas impopulares, como a inteligência e a estruturação.
Todos na vida pública trabalham com o objetivo de se tornar cada vez mais populares e consequentemente não fazem as reformas necessárias. Temos que fazer urgentemente a reforma política, administrativa, fiscal e da previdência. Essa nova geração de políticos não pode ter medo de tomar medidas impopulares para corrigir os erros e atropelos de governos populistas. Caberá ao político, hoje, que tem uma vida limpa, ilibada, que se propõe a viver do seu salário e daquilo que está acordado socialmente, tomar medidas impopulares.
Hoje, nesse momento de transformação, não podemos abrir a guarda para o populismo, para a retórica sem fundamento, para a demagogia, para a falácia emocional, nem para o viés paternalista ou maternalista. O perigo desse momento, no qual temos que ser firmes, é o surgimento de uma nova retórica, que é o oposto do que dizem os recentes governos populares. São aqueles que vêm falando o contrário do que é comumente dito, dizendo que só sobrou ele, que é o remanescente do caos. Essa visão é equivocada. O personalismo não pode ter vez.
Temos que construir uma nova política para desconstruir as medidas populares de governos populistas. Precisamos urgentemente da presença da sociedade civil junto da gente. Porque um fato que proporcionou esse caos político, foi a sua ausência. Esses governos populares com uma linguagem fácil se mostraram irresponsáveis com a gestão pública. Não podemos mais fazer vistas grossas para a demagogia e precisamos de bastante cuidado com a palavra ideologia, pois a cada dia surgem as mesmas ideologias com novas roupagens. Não há tempo a perder com irracionalidades, verborragias, falácias, estruturadas só no emocionalismo e que se propõem a serem diferentes. Diferentes de que? Qual o fundamento desse diferente? Zero!
Temos que olhar o Brasil com inteligência para formarmos uma nova estrutura de novos políticos aliados a sociedade civil. Hoje estamos entre uma das economias mais fechadas do planeta, a nossa produção está tentando sinalizar uma melhora, mas está estagnada. Temos um estado que nos últimos anos sequestrou metade dos depósitos bancários para usar no financiamento da casa própria. Isso tornou o crédito caro para outras utilizações. Pagamos muito imposto para financiar o estruturalismo do poder central. Isso porque há um domínio do poder federal, que fica com toda a decisão. Isso é perverso demais.
Precisamos romper com esse modelo, e para isso, precisamos partir para a reforma que vai proporcionar a força que levará ao crescimento. Precisamos inovar, empreender, trabalhar com responsabilidade para fazer mais com menos custo. Sem reforma a conta não vai fechar. Necessitamos combater à corrupção, os esquemas construídos na calada da noite, as venalidades que surrupiam o dinheiro do contribuinte, mas não podemos esquecer da reforma. Sem isso, não construiremos um futuro sólido para as próximas gerações. Inevitavelmente precisamos mexer nos pontos cardeais.
O país, as contas públicas, o estado, o município, têm que estar em primeiro lugar. Precisamos de gestores que sejam éticos, o tempo do esquema acabou. Esse é o caminho que estou seguindo e pretendo caminhar sempre na vida pública e sempre em amplo diálogo com a sociedade para achar saídas para esse momento tão triste e melancólico da história brasileira.

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